Arquiteta analisa como será novo Castelão
A arquiteta e urbanista Lilian de Oliveira, de 27 anos, é uma estudiosa de estádios de futebol. A paulista, que […]
A arquiteta e urbanista Lilian de Oliveira, de 27 anos, é uma estudiosa de estádios de futebol. A paulista, que mantém um blog, o Gol da Arquitetura, e uma coluna no site Universidade do Futebol, é a mesma que no mês passado foi entrevistada pelo Verminosos por Futebol em matéria sobre o programa de voluntários para a Copa do Mundo de 2014.
Com sua visão especializada, Lilian fez em maio passado uma análise da reforma do Castelão, o mais adiantado dentre os 12 estádios do Mundial, com entrega prevista para 15 de dezembro. Nunca tinha visto uma análise como essa, feita em artigo reproduzido aqui com sua autorização.
Entenda a reforma do estádio Castelão
Por Lilian de Oliveira
De patinho feio a um dos estádios mais organizados e bem elaborados da Copa 2014. O Castelão, desde sua divulgação inicial, desenvolveu-se muito em qualidade, mostrando grande evolução arquitetônica.
Com torres de energia eólica, potencial do litoral nordestino, o projeto tem intuito de minimizar os gastos energéticos com o “Green Goal”, conforme pede o manual de recomendações da Fifa. Além disso, tem propostas básicas de reuso de água da chuva e escolha de materiais de baixo impacto ambiental e reaproveitamento, conforme diz o arquiteto Hector Vigliecca, grande profissional uruguaio com atuação há muitos anos no país.
O projeto original, que antes tinha uma cobertura mais bruta, provocava sombra irregular no gramado. Hoje a cobertura é mais leve e, embora na imagem mostre bastante sombra (talvez por uma simulação de fim de tarde), acredito que tenha uma interferência menor no gramado, maior transparência e uma estrutura mais esbelta. O material usado pretende refletir os raios solares amenizando a temperatura interna.
Felizmente, por ser mais próxima ao Equador comparada a outras cidades-sedes, a necessidade de diferentes graus de transparência na cobertura é menor e o gramado pode ter condições de manter-se em boa qualidade para jogo, desde que com os cuidados básicos.
Os ventos em Fortaleza provocariam diferentes situações/forças na cobertura, portanto o projeto garante segurança com ventos de até 110km/h.
O projeto é uma reforma, demolindo somente parte da arquibancada superior para colocação dos camarotes vips e a arquibancada inferior, para o rebaixamento do campo em 4 metros, o que pode aproximar o público da partida. No entanto, passa a exigir alguns equipamentos de segurança e profissionais para garantir que ninguém invada o campo.
Há uma necessidade de se preocupar com a interferência das placas de publicidade à beira do campo, que, se não for colocado já no estudo de visibilidade com a altura real dos padrões da Fifa, interfere nos limites do campo, perdendo fileiras de arquibancada como aconteceu na Copa de 2010, na África do Sul.
Da mesma forma deve ser estudado o banco de reservas, que raramente está nos projetos de visibilidade, mas que neste já consta. Felizmente a Fifa prevê materiais adequados para minimizar alguns problemas. Geralmente eles devem ser rebaixados, que é a forma como aparece nas imagens deste projeto.
A plataforma de acesso criada para o estádio separa os torcedores comuns, acima dela, dos vips, abaixo da mesma. Também sob a esplanada, estará a Secretaria de Esportes do Ceará, acesso da imprensa e estacionamento.
A reforma é característica interessante para adequação de um estádio em más condições ou desatualizados. Mantém-se o necessário, principalmente a estrutura das arquibancadas, e cria-se uma fachada e cobertura com estrutura independente. No caso do Castelão, a estrutura de aço carbono tubular da fachada é formada por 60 pilares treliçados, como podemos ver abaixo.
A combinação da estrutura metálica, que se encaixa às arquibancadas de concreto antigas, complementa sua função a partir do momento em que amortece as oscilações estruturais, ajudando, assim, a minimizar as vibrações causadas pelas torcidas. Essa suavização acontece pela ligação com a arquibancada e com o solo.
A fachada mostra revestimentos diferentes para orientações diferentes do estádio. Isso garante maior aproveitamento de ventilação e iluminação natural para que haja economia energética conforme a orientação solar e fachadas mais ou menos ensolaradas.
O acesso às arquibancadas é feito de forma radial, portanto, o público se espalha melhor em momentos de aglomeração, como na saída de partidas, por exemplo. Outra questão importante neste projeto é que desde a plataforma externa de acesso, o torcedor pode alcançar através das rampas intercaladas, uma subindo e outra descendo, o anel superior ou inferior, conforme o ingresso indica, facilitando a acessibilidade ao lugar numerado.
Para atingir o anel superior, no entanto, há uma escadaria até as aberturas das arquibancadas. A acessibilidade a portadores de deficiência, portanto, fica limitada ao anel inferior, o que é, de certa forma, comum. Tais características podem ser observadas pelas imagens abaixo.
Com a praticidade do projeto e tecnologias atuais, a obra se mantém como a mais avançada para a Copa e sediará uma semifinal da Copa das Confederações 2013, evento teste da Copa do Mundo 2014.
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26 respostas para “Arquiteta analisa como será novo Castelão”
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Bom, Muricio Luíz Azevedo. A verdade é que não só eu mas como toda sociedade cearense já bancamos todo o dinheiro para a construção do estádio.agora só é meio estranho a pagina oficial da arena castelão passar uma informação com base em uma maquete de um estádio que já estar 93% concluído. (cheguei a esta pagina através de um link da pagina oficial da arena castelão) encerro nosso debate aqui. boa sorte e sucesso pra vc.
Oi Mauricio, de fato essa porcentagem de obras realizadas sempre gerou questionamentos de leigos. Mas quem entende de engenharia tem suas explicações. Discordo da opinião de que a análise da arquiteta paulista, feita neste post, seja inferior por ter sido realizada “com base em maquete”. Estou aberto ao debate, mas se deseja encerrá-lo, tudo bem. Vamos torcer que o Castelão fique tão bonito quanto o projeto arquitetônico, e que ele não custe nada a mais do que está previsto. Um abraço!
São paulo é bem aí Rafael Luís Azevedo, 4 ”horinhas” de viagem, é viável sim a análise com base na estrutura real. só que os resultados desta análise não seriam as mesmas que vimos aí em cima. talvez seja essa a razão pela qual você tornou São Paulo tão distante na sua irônia.
Mauricio, não fiz ironia nenhuma, disse apenas que se conhecesse um arquiteto cearense com a mesma condição técnica, que me avisasse. Agora sim vou ser irônico: se tiver interesse em bancar a vinda da arquiteta de São Paulo para Fortaleza para fazer uma análise do estádio Castelão, o Verminosos por Futebol aceita contribuições. Quatro “horinhas” de avião não devem custar tanto, certo?
Gostaria que a análise da profissional fosse feita com base na estrutura real e não numa maquete, eu mesmo ao passar em frente ao estadio semana passada me decepcionei, ta é longe de ficar igual a maquete. uma pena.
Oi Mauricio, a arquiteta é paulista e mora em São Paulo. Precisariamos de um cearense com a mesma condição técnica. Se conhecer um, me avisa. Um abraço!
Whoa! This blog looks exactly like my old one! It’s on a completely different subject but it has pretty much the same layout and design. Outstanding choice of colors!
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Thanks!
Excelente matéria e nosso estádio está ficando lindo. Ainda assim sou saudosista da aparência de concreto do Castelão assim como dos alambrados do PV.
Oi Wânyffer, acho que você vai mudar de ideia quando ver o estádio pronto.
Rapaz, moro na avenida do Castelão e vou a jogos do meu time de coração que é o Fortaleza E.C., o antigão de concreto foi modernizado, era terrível sem cadeiras e desconfortável, depois houve uma grande reforma, se tornou bem mais moderno e confortável, o que faltava era mais bilheterias, no entanto com essa reforma pra copa, vejo um estádio sensacional, muito mais bonito e acessível, toda vez em que passo de carro me assusto com a obra por ter sempre algo novo aparecendo, desde já quero parabenizar ao governo do estado pelo empenho que é esse presente o “novo” estádio Arena Castelão, principalmente ao Secretário Ferruccio Feitosa que trabalha arduosamente na causa, abraço a todos e parabéns ao blog, conheço bem a obra e vc´s foram muito felizes nas análises, ótimas observações, abraço a todos!
Obrigado, Daniel. Visite o museu do Castelão. É um passeio que vale a pena. Um abraço!
Muito legal, Rafael. Tava esperando algo sobre isso há tempos…
Valeu, Catrib! Sugestões são bem-vindas… Um abraço!
Ótima matéria, mas qual a procedência da seguinte informação: “sediará a final da Copa das Confederações 2013, evento teste da Copa do Mundo 2014.”
Um abraço.
O correto é semifinal, Wellington. Está corrigido. Um abraço!
Excelente a matéria, principalmente pelo cunho de explicar para os todos nós, não técnicos, as questões de estrutura e como isso vai impactar no produto final. Sobre a mobilidade, moro perto do Castelão e entristece comprovar que quase nada que foi prometido no plano para conquistar a sede da Copa foi mantido. Maior exemplo é a av. Dedé Brasil, que era prometida nova e quase nada nela será feito.
Você tem razão, Paulo. É uma pena que teremos apenas estádios. E os engarrafamentos continuarão os mesmos a caminho do Castelão.
Bacana ver uma analise técnica imparcial.
Agora o que me preocupão são as obras de acessibilidade viária. Não vejo obra alguma sendo realizada no etorno do estádio, e vejo isso como motivo de sérias dúvidas no tocante ao conjunto completo do projeto.
Parabéns pelo post e por ter trazido esta análise.
Valeu, Mauro, o parabéns vai para a Lilian. Recomendo visita ao blog dela. De fato, você tem razão, teremos apenas estádio. E os mesmos engarrafamentos de sempre. Quem conhece, sabe.