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Papo sério

Eu vi Vojvoda da estreia no Raimundão até o Monumental de Nuñez na Libertadores

Um ano após a estreia do técnico argentino Vojvoda, o social mídia Guido Nobre relembra aquele jogo cheio de contratempos que contou até com “transmissão” do presidente do Fortaleza

Credencial do jogo de estreia de Vojvoda molhou, mas ficou de relíquia (Foto: Acervo pessoal)
Credencial do jogo de estreia de Vojvoda molhou, mas ficou como relíquia (Foto: Acervo pessoal)

Por Guido Nobre

A caminho do estádio Raimundo de Oliveira, em Caucaia, o céu já dava sinais de que algo diferente aconteceria. Mas o que de tão surpreendente poderia ocorrer em uma rodada do Campeonato Cearense? Bom, até aquele momento eu não fazia ideia, e apenas seguia junto com meu chefe para mais uma cobertura do principal certame do Estado.

Com quase quatro meses de estágio como social mídia, aquele 12 de maio de 2021 marcaria minha 31ª partida pela Federação Cearense de Futebol (FCF). Confesso que o clima do jogo não era o dos melhores, já que nos últimos dias tanto o Fortaleza quanto o rival Ceará tinham sido vencidos pelo Bahia na Copa do Nordeste, deixando escapar a chance de termos uma final com Clássico-Rei e, claro, o quarto título do Nordestão para o nosso futebol.

Mas o que eu não imaginava na época era que essa eliminação nas semifinais do regional proporcionaria ao Tricolor uma de suas maiores contratações em mais de 100 anos de história. Após a demissão do técnico Enderson Moreira, que estava no clube desde a temporada anterior, o Leão anunciava a chegada de um treinador estrangeiro até então desconhecido por aqui.

“Voi o quê?”

Se tratava de um argentino: Juan Pablo Vojvoda. Pelo nome diferente, ele já ganhou uma grande repercussão nos noticiários da cidade. E a pergunta era uma só: qual a pronuncia correta, “Voivôda”, “Voivóda”, “Vogivoda” ou “Boiboda”? Bom, até hoje ninguém sabe direito como se fala, mas é fato que todo mundo já conhece esse “hermano do Pici”.

E sua estreia não foi nada glamourosa. Aliás, passou bem longe disso. Para quem pensou que iria logo de cara para a Arena Castelão, com um grande público e um tempo favorável, enganou-se. Vojvoda foi recebido com um jogo no Raimundão, sem um torcedor sequer nas arquibancadas e com céu fechado por nuvens cinzas.

“Vojvoda foi recebido com um jogo no Raimundão, sem um torcedor sequer nas arquibancadas e com céu fechado por nuvens cinzas”.

Vamos falar do jogo! Crato e Fortaleza entraram em campo para fechar a quinta rodada do estadual. Minha missão era gravar os melhores momentos dessa partida para os stories do Instagram da FCF. Logo de cara, já falhei no primeiro gol. Wellington Paulista foi ligeiro como um raio e abriu o placar com meio minuto de jogo, mostrando a vantagem que o Tricolor tinha sobre o time do Cariri. Esse eu até vi, mas não peguei o celular a tempo de gravar.

No restante do primeiro tempo foi tudo tranquilo para o Fortaleza, com mais dois gols, um de Lucas Crispim e o outro de Éderson, e esses eu consegui registrar. Mas foi logo após esse mínimo momento de alegria em fazer um bom trabalho que tudo começou a ir por água abaixo, literalmente. No intervalo do jogo, a chuva deu as caras, e um verdadeiro “toró” tomou conta do estádio.

Eu já estava preparado para o pior. Na mochila, que sempre carrego comigo nos jogos, tinha uma capa e um guarda-chuva. Eles me salvaram. Protegido, o segundo tempo começou com muita chuva e ventos fortes, o que dificultou a visão do jogo e consequentemente a gravação dos lances.

Estádio virou breu

Com tanta água, a energia da Caucaia não esperou até o final para o apagar das luzes, e aos 6 minutos deixou o Raimundão em um breu absoluto. Não sei quantos minutos se passaram, mas todos que trabalhavam no local começaram a se perguntar se o jogo ainda iria voltar. Incertos sobre a continuidade da partida, eu e meu chefe, Biriba do Vale, fomos nos abrigar em seu carro, e discutimos sobre a possibilidade de voltarmos para Fortaleza.

Enquanto a luz não voltava e a chuva não parava de cair, fomos assistir no celular a decisão por pênaltis entre Mirassol e Guarani, pelas quartas de final do Paulistão. O goleiro Muralha (aquele mesmo que virou piada no Flamengo) defendeu duas cobranças e ajudou o time da casa a se classificar para a próxima fase.

Biriba perguntou se eu queria ir para a casa, tendo em vista que o recomeço da partida era algo cada vez mais complicado. Mas eu, também um verminoso por futebol, pedi para ficar e esperar uma definição oficial do juiz. E ficamos. Após alguns minutos, a espera realmente valeu a pena. Aos poucos os refletores iam acendendo, e logo o estádio estava todo iluminado de novo. O juiz então autorizou o reinício do confronto.

Presidente-narrador

Porém, nem tudo voltou ao normal. Por conta do longo tempo de espera, os cinegrafistas responsáveis pela transmissão do jogo abandonaram o posto, e a partida ficou sem imagens para a televisão. Foi quando Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, relembrou seus tempos de cronista esportivo e iniciou uma live no seu Instagram pessoal, mostrando os lances para a torcida – e até narrando!

Ainda debaixo de muita chuva, lá estávamos eu e Biriba, cobertos por um guarda-chuva que quase quebrava com o vento. Ainda registramos mais três gols: um de cobertura de Wellington Paulista, outro de Luis Henrique e, para fechar a conta leonina, um de Robson. O Crato ainda fez o gol de honra nos minutos finais, com Otácio furando a defesa tricolor.

Fim de jogo. Finalmente. Crato 1 x 6 Fortaleza. Foi encerrada a quinta rodada da segunda fase do Cearense. Na volta pra casa, soubemos que a tempestade e o apagão não tinham ocorrido apenas em Caucaia, mas também em Fortaleza. Os ventos fortes inclusive derrubaram uma árvore perto de onde moro.

Vojvoda estreou com goleada, minha credencial ficou toda molhada e essa história ficou eternizada. Para quem gosta de uma boa narrativa, essa chuva foi uma espécie de “batismo” para o argentino no futebol cearense. Seria o temporal que caiu em Caucaia um “dilúvio”, assim como o contado na Bíblia, que traria um recomeço a uma terra arrasada?

“Vojvoda estreou com goleada, minha credencial ficou toda molhada e essa história ficou eternizada”.

1 ano depois

Independentemente da metáfora escolhida, a trajetória de Vojvoda no Fortaleza é concreta (e vitoriosa). Em 365 dias, foram dois estaduais e uma Copa do Nordeste conquistados, todos de forma invicta. Além disso, uma classificação inédita para a semifinal da Copa do Brasil e, o mais surpreendente, a tão sonhada vaga para a fase de grupos da Libertadores da América.

E eu estava lá, tanto em Caucaia quanto em Buenos Aires, vendo com os próprios olhos o “Profe” levar o Tricolor do Raimundão até o Monumental de Nuñez!

> Guido Nobre, estudante de Jornalismo do Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7), é social mídia da Federação Cearense de Futebol (FCF).

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