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Papo sério

Talleres mostra para os brasileiros que há futebol fora de Buenos Aires e Rosario

O Talleres voltou à elite argentina há pouco tempo, e rapidamente chegou a Libertadores

O Talleres tem sede a 700 km de Buenos Aires (Foto: Conmebol)
O Talleres tem sede em cidade a 700 km de Buenos Aires (Foto: Conmebol)

Por Sérgio Sá

A eliminação do São Paulo na Copa Libertadores de 2019 foi surpreendente. Tricampeão da competição, o Tricolor caiu na fase anterior à de grupos para o Talleres de Cordoba. Mesmo estando do nosso lado, os times argentinos não nos chamam tanto a atenção fora das competições continentais. E o Talleres tem ainda um “agravante”: não é de Buenos Aires e nem de Rosario.

Vamos então conhecer um pouco mais da história recente do algoz do São Paulo neste começo de ano?

Talleres de Cordoba

Já falamos aqui sobre a dose cavalar de futebol que existe em Buenos Aires. Além de Boca e River, conhecidos no mundo inteiro, há os tradicionais Velez e San Lorenzo. Na região metropolitana ainda há o Independiente, sete vezes campeão da Libertadores. E mesmo o Estudiantes, que fica em La Plata, está a apenas 56 km da capital.

Para quem é mais conhecedor, dá para citar Rosario, com o Newell’s Old Boys e o Rosario Central. E com isso está basicamente coberto todo os times grandes e que causaram arrepios nos brasileiros nos gramados sul-americanos.

Mas dessa vez o algoz veio de Cordoba, mais de 700 km distante de Buenos Aires e a segunda maior cidade do país. Essa grande população ajuda a explicar os jogos em um estádio de 60 mil pessoas que leva o nome do craque Mario Kempes.

O time sempre foi pesado na região, fazendo clássico com o Belgrano. Mas os resultados nacionais sempre foram esparsos – concentrados mais nos anos 80. O time conquistou uma Copa Conmebol esvaziada – batendo o CSA na final – em 1999.

Mas tudo isso era maravilhoso comparado com o inferno dos anos 2000.

Série B e C na Argentina

Em 2004, apesar de boa campanha no Clausura, precisava de muitos pontos para evitar o rebaixamento – o Campeonato Argentino tinha uma fórmula que nem vale a pena explicar –, caindo para a Série B deles depois de seis anos na elite.

Mesmo com Ricardo Gareca – que depois treinaria o Palmeiras e o Peru na Copa do Mundo – o time não conseguiu subir nos anos posteriores e caiu para a Série C em 2009, empurrado para baixo também por problemas financeiros.

O time voltou por um ano para a B antes de afundar de novo em 2014, voltando finalmente em 2016 já na presidência do empresário Andres Fassi. O retorno para a elite foi imediato, depois de 12 anos de sofrimento e quedas. O time saiu da falência e voltou a admitir sócios, criando a estrutura para os anos seguintes.

Como chegou até aqui

O time ficou em quinto na Primeira Divisão de 2017/18, garantindo a vaga na Pré-Libertadores deste ano. Com 46 pontos, a equipe ficou à frente de muitas equipes de peso. Só olhar quem ficou com 45: Racing Club e um tal de River Plate.

Logo de cara deu para ver o interesse do clube na competição, voltando depois de 17 anos de ausência. Vídeos promocionais, contratações, o apoio do público e a ajuda do time estar no meio da temporada. Nem o fato de disputar a eliminatória contra um claro favorito, seja para o público ou as casas de apostas, balançou a empolgação.

Então, voltando para o São Paulo, claro que ainda foi uma surpresa e de certa forma vergonhosa a eliminação para o Talleres, já que o investimento foi feito e a bola apresentada foi minúscula.

Mas também devemos apontar o imenso mérito da equipe de Córdoba, que mostrou raça argentina sem confundir com violência – os dois expulsos na eliminatória eram brasileiros – e uma superação incrível. Em 2015 esse time estava na Série C da Argentina. Agora com Guiñazu de líder emocional e uma equipe entrosada, a campanha na Libertadores já é vitoriosa.


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