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Papo sério

Futebol, um esporte de todos. Só que não

O advogado Djalma Mendonça, de João Pessoa, relata em artigo o caso de um jovem barrado em clube paraibano em virtude da falta de um braço

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Se o futebol é jogado com os pés, por que a falta de um braço faria diferença a um jogador? (Foto: Reprodução)
Se o futebol é jogado com os pés, por que a falta de um braço faria diferença? (Foto: Reprodução)

Texto de Djalma Mendonça.

Meados de 2011 e eu, após o fim de meu curso de Direito, batia meu futebol aos sábados à tarde, em meio à luta para ser aprovado no Exame de Ordem para advogados, a OAB. Era uma pelada normal, um sábado como qualquer outro, com aquele velho sol escaldante e abafado que rolava durante a tarde aqui em João Pessoa.

Não incomum também era o fato de alguns peladeiros de fora aparecerem para jogar, daqueles que a pessoa não tem nem ideia de onde poderiam ter saído. O que tornava a pelada muito mais legal e disputada, afinal de contas, quem mandava no campo do Pinheirão deveriam ser eu e meus amigos… Molecagem ali? Nunca!

Pois bem, a pelada rolava e lembro que meu time continuava em campo, quando na mudança de jogadores, a boa e velha “próxima”, entrou um moleque normal, assim como todos, porém faltava-lhe o braço esquerdo. Para facilitar e proteger identidades do que tratarei, vou chamá-lo de “Rivelino”.

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Seguindo a história, como toda e qualquer pessoa, assim que você percebe alguém com alguma deficiência física ou algo do tipo, a primeira sensação é a de cuidado, como se qualquer tranco ou dividida fosse maltratar a pessoa. Porém, no caso de Rivelino não, o moleque jogava muita bola. Dividi algumas com pena dele, mas ainda me arrependo de não ter escorado com mais energia.

Impressionava demais a maneira como ele jogava de forma invertida, pela direita, exatamente para armar para o chute, ou ainda como ele conseguia marcar em todos os espaços da cancha. Corria muito, marcava bem, nem parecia que lhe faltava o braço. Tenho a recordação de, numa das tantas vezes em que ele me passava e eu corria para marcá-lo, dialogar, no meu bom palavreado, após um escanteio com ele: “Tu corre pra caralho, hein? Corre mais, bicho”. Rivelino deu risada e o jogo seguiu.

Ao terminar a partida, fiquei resenhando com a galera e chamei o cara pra bater papo. Descobri que ele era atleta, da seleção Paralímpica de Atletismo aqui do Estado. Corria alguma prova longa, não lembro bem… Da minha casa para o campo, é coisa de 500 metros de distância, mas a conversa tava tão legal a respeito da falta de investimento nos atletas com deficiência que me rendeu uma boa experiência.

“O moleque jogava muita bola. Dividi algumas com pena dele, mas ainda me arrependo de não ter escorado com mais energia”.

Quando ia embora, Rivelino me revelou que fez uma peneira em um time do interior da Paraíba, havendo sido aprovado e chamado para assinar o contrato, mas no dia, por motivos não sabidos ou porque Rivelino não satisfazia o que a empresa procurava, o fechamento do acordo não rolou… Para mim, o moleque revelou que era a deficiência dele o motivo, e quem confirmou foi a pessoa que estava intercedendo por ele perante o clube.

Com certeza, o caso que aqui exponho não é o único, nem o último a acontecer no futebol, principalmente quando se trata do futebol em terras brasileiras. Então, de fato, o que realmente a gente quer quando assiste a um jogo de futebol? Aliás, nós nem tanto, mas os clubes. Será que realmente o futebol é um esporte de todos ou só daqueles poucos privilegiados?

O caso narrado acima é prova de que as dificuldades podem ser superadas. Cada vez mais é deixado de lado o prazer do esporte por mais e mais cifras, exposição de marcas e de imagens. Será que o futebol moderno é digno desse adjetivo?

Clique no link e leia também:

http://www.verminososporfutebol.com.br/olho-no-lance/cearense-faz-gols-de-falta-de-calcanhar/

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