Neymar é craque, mas pode ser ofuscado
Em artigo, leitor defende que Neymar parece mais forte quando ao lado de craques. O que pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista
Texto de José Duarte.
A série americana How I Met Your Mother é uma das mais divertidas produzidas nos últimos anos. É bem verdade que suas últimas temporadas acabaram um tanto quanto dramáticas – mas, nas primeiras, sempre havia alguma teoria engraçada e que podíamos facilmente aplicar em situações cotidianas. Uma delas – na maioria das vezes boladas pelo personagem Barney Stinson, interpretado por Neil Patrick Harris – é a “Teoria da Cheerleader”. Segundo Barney, mulheres (e homens também) ficam mais bonitas quando estão andando em grupos. Mas quando você desfoca um deles – e os analisa individualmente – é que você consegue ver como a pessoa é na realidade (em termos físicos). E essa teoria foi até provada por cientistas. Isso muitas vezes indica que a mulher/homem é feio, mas enfim: não é o caso de nossa analogia.
Indo ao ponto…
Fiz essa contextualização para usar dessa analogia quando analisamos o talento de Neymar enquanto jogador de futebol. Quando você olha para o elenco do Barcelona e seu trio MSN (formado além dele pelo argentino Messi e pelo uruguaio Suárez), você vê um time forte e que pode ser, indiscutivelmente, considerado o melhor da Europa na atualidade – ao menos na parte ofensiva. Mas o que acontece quando analisamos individualmente os talentos?
A princípio, vemos um pouco de ofuscabilidade – como Tite, vamos inventar palavras aqui. Mas estar na sombra do talento de Messi – cujo par binário de Portugal forma a dupla de melhores do mundo não ser algo necessariamente negativo. Negativo? O que tem de negativo nisso? Bom, em suma, o peso que Neymar carrega nas costas. Em cada parte dos ombros, a esperança de uma torcida. A do Brasil se pergunta: “Ele vai ser tão bom quanto Pelé?”. A do Barcelona, “Ele será tão bom quanto Messi?”
Comparações por vezes são desnecessárias quando analisamos os indivíduos e seus predicados. Assim, ao invés de comparar Neymar com Messi ou Pelé – ambos, claramente acima da média e na seara da genialidade – seria mais produtivo analisar o talento de Neymar como algo uno e com suas particularidade que podem ser admiradas. Ao começar do carisma do jogador fora de campo – talvez seja discutível que o que faz de Messi um garoto propaganda de tantas marcas seja o futebol e sucesso que ele apresenta dentro de campo. Messi tem em seu portfólio empresas como a Samsung e a Adidas. Isso ele conseguiu pela bola – Neymar consegue ser “vendível” por seu carisma também.
Poder midiático
Não à toa ele conta com mais de 12 empresas o patrocinando – e mais recentemente neste mês com um site de poker. Isso é único nele – seu poder midiático, sobretudo nas redes sociais, é maior do que o de Messi. Veja, aqui parece não ser necessária comparação com ninguém – basta admirar o talento e uma virtude do brasileiro, ela por si só.
Na realidade, acredito que ele sequer liga para tudo isso. A aparência extra-campo (e dentro do campo também) mostra um jogador com imagem pública esculpida como diamante. O carisma e o mind set de Neymar são duas coisas invejáveis no mundo do futebol. E quando o mind set é apropriado, quando o é de vencedor, as coisas dão certo.
Ah, mas você gosta de comparações? Tudo bem, vamos fazer uma. Façamos com outro suposto coadjuvante – é uma comparação mais justa e plausível; Gareth Bale, do Real Madrid, teoricamente está para Cristiano Ronaldo o que Neymar está para Messi. A diferença é a clara descendente e queda de rendimento que Bale apresentou neste semestre – o semestre mais importante, afinal conta com as rodadas finais de La Liga e da UEFA Champions League.
O ponto de comparar Neymar com Bale talvez seja interessante, porque é uma comparação na “mesma categoria de peso”. E após fazermos tal comparação fica bem claro que o brasileiro está numa ascendente e sendo cada vez mais núcleo e menos elétron no ataque do Barcelona. Mesmo quando joga mal – como a partida do Barcelona no Allianz Arena contra o Bayern de Munique, Neymar demonstra uma agressividade, uma vontade interessante. Vai pra cima do marcador com vontade – e às vezes faz passes interessantes que colocam Messi em posição de marcar. Essa vontade pode ser a diferença de ficar coadjuvante para sempre no País de Gales ou de ser uma estrela no Brasil.
Tem alguma comparação que importa?
Eis o grande problema aqui. A comparação de Neymar que realmente importa (se você gostar delas) é com Messi não no Barcelona – mas em sua capacidade e competência de levar sua seleção nacional para frente. Cristiano Ronaldo classificou Portugal para a Copa do Mundo de 2014 contra a Suécia. Messi carregou a Argentina durante a Copa. Neymar teve essa possibilidade interrompida através de uma joelhada.
No junho vindouro o brasileiro terá essa chance de volta na Copa América. O que foi abortado contra a Alemanha pode ter a chance de nascer no Chile em um mês: um título brasileiro comandado por um camisa 10. Muitos dizem que Neymar é o melhor dos mortais – em oposição aos gênios português e argentino. E se esse título ocorrer, a torcida vestida de amarelo vai dizer, ébria, que Neymar é melhor do que Messi. Pode até não ser: mas levar um time nas costas é o que verdadeiramente importa para separar os homens dos gênios.
Veja, por isso o futebol é tão mágico e tão especial: por causa de suas inúmeras competições, que dão chances e chances para que gênios brilhem e ofusquem. Para que carreguem e para que sejam carregados fora de campo. Cada torneio é uma chance e disso decorre que cada chance seja uma alegria ou uma tristeza. Que a próxima não leve uma joelhada – ou sete delas.
Clique no link e leia também:
www.verminososporfutebol.com.br/deu-no-jornal/o-lamento-por-neymar-em-25-jornais
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