Papo sério

Clubes brasileiros na Libertadores: relembre as finais mais marcantes da história

Das decisões de 2005 e 2006 ao ciclo recente, relembre as finais brasileiras na Libertadores e entenda o que explica a hegemonia nacional

14 clubes brasileiros chegaram a finais continentais (Foto: Magnific)
14 clubes brasileiros chegaram a finais continentais (Foto: Magnific)

O Brasil soma 25 títulos da Libertadores, distribuídos entre doze clubes diferentes. Nenhum outro país reúne tantos campeões distintos, e apenas a Argentina iguala o número de taças.

Ao longo de seis décadas, 14 clubes brasileiros chegaram a finais continentais. Algumas dessas decisões se apagaram com o tempo. Outras seguem sendo contadas em detalhe por quem nem era nascido quando aconteceram.

Os títulos brasileiros na Libertadores

Flamengo (4) – 1981, 2019, 2022 e 2025
Palmeiras (3) – 1999, 2020 e 2021
São Paulo (3) – 1992, 1993 e 2005
Santos (3) – 1962, 1963 e 2011
Grêmio (3) – 1983, 1995 e 2017
Internacional (2) – 2006 e 2010
Cruzeiro (2) – 1976 e 1997
Vasco (1) – 1998
Corinthians (1) – 2012
Atlético-MG (1) – 2013
Fluminense (1) – 2023
Botafogo (1) – 2024

Como este ranking foi montado

Nem toda final entra para a memória pelo mesmo motivo. O critério aqui considerou três fatores: o drama da decisão em campo, o peso histórico do resultado e o que a conquista representou para o clube.

Por isso uma final tecnicamente morna pode figurar acima de um jogo movimentado, se o que estava em disputa era maior.

1. Flamengo 2×1 River Plate, 2019

Nenhuma final brasileira foi decidida de forma tão improvável. Em Lima, o Flamengo de Jorge Jesus perdia para o River Plate até os minutos finais.

Então Gabigol marcou duas vezes em sequência, virando o jogo quando a derrota já parecia consumada. O Rubro-Negro encerrou um jejum de 38 anos e reabriu o ciclo de domínio brasileiro que se estenderia pela década seguinte.

É a final que qualquer torcedor brasileiro narra de cabeça, lance a lance.

2. Santos x Peñarol, 1962

A primeira conquista brasileira na competição veio com o time de Pelé, Coutinho e Pepe, diante do maior campeão da época.

A decisão contra o Peñarol precisou de um jogo extra, e Pelé foi decisivo no desempate. O Santos marcou 18 gols na campanha, sete deles do próprio Pelé, e levou o futebol brasileiro ao centro do mapa continental pela primeira vez.

No ano seguinte veio o bicampeonato sobre o Boca Juniors, com triunfo por 2 a 1 dentro da Bombonera.

3. Flamengo x Cobreloa, 1981

O título que quebrou um jejum de 18 anos sem campeões brasileiros e consagrou a geração de Zico, Júnior e Leandro.

A decisão contra os chilenos exigiu um desempate em Montevidéu, e Zico apareceu justamente na partida que valia tudo. A conquista transformou o Flamengo em potência continental e virou referência afetiva para gerações de torcedores.

4. Palmeiras 2×1 Flamengo, 2021

A final mais lembrada entre dois clubes brasileiros. No Centenário, em Montevidéu, Raphael Veiga abriu o placar aos cinco minutos e Gabigol empatou na etapa final, levando o jogo à prorrogação.

Foi ali que a decisão virou lenda: Andreas Pereira escorregou ao tentar sair jogando, Deyverson roubou a bola e tocou na saída de Diego Alves. O Palmeiras conquistou o tricampeonato e se tornou o primeiro bicampeão consecutivo desde o Boca Juniors de 2001.

5. São Paulo x Newell’s Old Boys, 1992

A final que inaugurou o ciclo mais vitorioso do futebol brasileiro no século passado. O São Paulo de Telê Santana venceu nos pênaltis, com brilho de Raí e defesas decisivas de Zetti.

O time repetiria a conquista em 1993, atropelando a Universidad Católica com 5 a 1 no Morumbi na ida. O bicampeonato consolidou um padrão que ditaria o futebol continental por anos.

6. Fluminense x Boca Juniors, 2023

Nem toda final marca pelo roteiro. Algumas marcam pelo que representam.

O Fluminense chegou à decisão no Maracanã sem nunca ter conquistado a Libertadores, diante de um Boca Juniors com seis taças no currículo. Venceu e encerrou uma espera que atravessou toda a história do clube.

Foi também a única final entre 2020 e 2025 que não reuniu dois clubes brasileiros.

 

O que explica a hegemonia brasileira na Libertadores?

A razão mais direta é a financeira. Os clubes brasileiros passaram a operar com orçamentos muito acima da média sul-americana, o que permite montar elencos com profundidade para atravessar uma competição longa.

Há também o calendário: o Brasileirão corre em paralelo à Libertadores, e os grandes rodam o elenco entre as duas frentes sem perder competitividade. Não por acaso, boa parte desses clubes aparece em levantamentos sobre os melhores times do mundo.

Onde acompanhar a memória e o presente da competição

Escalações, placares e datas se confundem com o tempo, e versões erradas circulam com facilidade. Veículos de notícias de futebol mantêm arquivos que ajudam a separar o que aconteceu do que a memória reconstruiu.

O entretenimento digital cresceu junto com a competição

O período de maior domínio brasileiro coincidiu com outra transformação, fora das quatro linhas: o entretenimento online se popularizou e passou a ocupar o mesmo tempo livre de quem acompanha futebol, em formatos de rodada curta.

O Aviator é um dos títulos mais conhecidos da categoria e integra o catálogo de plataformas autorizadas no país. Trata-se de entretenimento, com resultados definidos por geradores de números aleatórios auditados, não de fonte de renda.

Uma lista que ainda vai crescer

De Pelé em 1962 ao tetra do Flamengo em 2025, mudou mais que o nome dos campeões. Mudou a expectativa: ver um clube brasileiro na decisão deixou de ser conquista e virou ponto de partida.

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