Dica cultural

Livro de Mozarzinho é leitura obrigatória

Biografia boa é aquela que relata histórias de glória e tragédia. Por isso a vida de Mozart Gomes, o Mozarzinho, […]

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Após atuação exuberante pela seleção cearense, em 1963, um jornal fez montagem com o rosto de Mozarzinho. Único que acabou não sendo “substituído” foi o lateral Carneiro (Fotos: Divulgação)

Biografia boa é aquela que relata histórias de glória e tragédia. Por isso a vida de Mozart Gomes, o Mozarzinho, merecia um resgate. Trabalho realizado pelo escritor Saraiva Júnior, que acaba de lançar um livro sobre o jogador, apontado como o mais talentoso da história do futebol cearense.

“Mozart: Uma Trajetória Inquieta no Futebol” foi resultado de cinco anos de pesquisa. Fã de Mozarzinho desde a infância vivida na Gentilândia, bairro pontificado pelo estádio Presidente Vargas, Saraiva acompanhou toda a carreira do jogador. Há oito anos, eles se tornaram parceiros de caminhada. Foi daí que nasceu a ideia de contar a história do ídolo-amigo.

O livro recolhe para a posteridade as inapagáveis luzes desse que entendo ter sido o melhor jogador cearense de todos os tempos”. Tom Barros, colunista do Diário do Nordeste.

Mozarzinho nasceu em 1939, na família mais tricolor da capital cearense. O pai, também Mozart Gomes, era presidente do Fortaleza. O tio, França, era o grande ídolo da equipe. Sua casa era a própria sede do clube. Quando entrou para as categorias de base, seu tio havia virado o técnico e o irmão mais velho, Moésio Gomes, era o capitão. Seu destino vestia vermelho, azul e branco.

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Mozarzinho (dir), ao lado do irmão Moésio Gomes: aos 16 anos, já era estrela

Alvo de imensa cobrança, Mozarzinho correspondeu a expectativa se tornando a estrela do Fortaleza já aos 16 anos, em 1955. O futebol cearense era pouco para o garoto, diziam. Por isso foi natural a partida dele. De 1957 a 1961, teve passagens por Náutico, Fluminense, XV de Jaú e Comercial de Ribeirão Preto.

O esperado sucesso nacional não aconteceu graças ao seu principal marcador, que garantiu o lado negro de sua biografia: o álcool, o gosto por sexo casual e a constante luta contra o peso. Saraiva conta histórias deliciosas, como o dia em que Mozarzinho caiu numa cacimba à noite ao tentar fugir da concentração, no Pici.

Ponta e meia que jogava tanto na direita quanto esquerda, Mozarzinho acabou voltando para seu porto seguro. Em Fortaleza, teve a complacência de dirigentes e familiares para viver do jeito que queria. Virou figura carimbada em bares e cabarés. Aos críticos, respondia com gols que ficaram na história.

O problema é que as confusões eram muitas. Num tempo em que os jogadores eram fortemente identificados com os clubes, Mozarzinho chocou a cidade ao se transferir para o arquirrival Ceará, em 1967. Provocado pelo radialista Paulino Rocha, um mito na época, chegou a agredi-lo num bar. Em seguida, urinou no canto da parede.

Mozart Gomes é o jogador que engorda por correspondência”. Nelson Rodrigues, ao dedicar uma coluna sobre o jogador então no Fluminense, seu time de coração.

A vida desregrada cobrou seu preço. Após pendurar as chuteiras, Mozarzinho não conseguiu emplacar carreira de técnico, como fez o irmão Moésio. Era difícil exigir disciplina de jogadores sendo quem ele foi. Na velhice, doenças derivadas do excesso de álcool se tornaram uma chaga.

Mozarzinho morreu em 2009, aos 70 anos, vítima de câncer nos rins e no pulmão. Quatro anos depois, Saraiva cumpre a promessa de publicar o livro sobre o craque. “Numa das últimas vezes em que o vi, ele me disse que estava esperando a biografia pra poder morrer. Eu então respondi que o livro não ia sair tão cedo, para que ele pudesse viver mais”, relembra o autor, emocionado.

Mozart-Gomes-4A história é sobre Mozarzinho, mas em parte é também sobre Saraiva e todos os fãs do jogador que encantou multidões no PV.

Serviço:

Evento: Lançamento do livro “Mozart: Uma Trajetória Inquieta no Futebol”, de Saraiva Júnior.
Data: 28/2/2013, às 19h.
Local: Churrascaria Parque Recreio (Avenida Rui Barbosa, 2.727, Fortaleza).
Preço do livro: R$ 25.

Eleito como maior jogador da história do futebol cearense:

Em 2010, quando o autor deste blog era editor de esportes do jornal O Povo, de Fortaleza, uma reportagem elegeu os maiores jogadores da história do futebol cearense. Dez jornalistas, pesquisadores e ex-jogadores participaram da votação, apontando os dez melhores (a pontuação foi de 10 para o 1º, 9 para o 2º e a assim por diante). No somatório, Mozarzinho foi eleito o maior.

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Foto mais famosa de Mozarzinho: no PV, envergando a camisa do Fortaleza, time de coração dele e da família

1º Mozart Gomes – 78 pontos
2º Pedro Basílio – 54
3º Zé Eduardo – 50
4º Gildo – 41
5º Pacoti – 29
6º Louro – 28
7º Amilton Melo – 28
8º Pintado – 26
9º Mitotônio – 20
10º França – 20
11º Artur – 17
12º Farnum – 14
13º Pepê – 13
14º Carinha – 12
15º Moésio Gomes – 12
16º Clodoaldo – 10
17º Juracy – 10
18º Zé Paulo – 8
19º Alexandre Nepomuceno – 7
20º Jorge Cocota – 7
21º Amilton Rocha – 6
22º Caravele – 6
23º Marciano – 6
24º Carneiro – 5
25º Edmar – 5
26º Gambetá – 5
27º Aloísio Linhares – 4
28º Celso Gavião – 4
29º Joãozinho – 4
30º Macaco – 4
31º Babá – 3
32º Lulinha – 3
33º Walter Barroso – 3
34º Geraldino Saravá – 2
35º Fernando Sátiro – 1
36º Lucinho – 1

Quem votou:

Ciro Câmara, jornalista
Alan Neto, jornalista
Arthur Ferraz, jornalista
Airton de Farias, pesquisador
Airton Fontenele, pesquisador
Eugênio Fonseca, pesquisador
Nirez de Azevedo, pesquisador
Orlando Facó, ex-jogador
Zé Cândido, ex-jogador
Mauro Carmélio, presidente da Federação Cearense de Futebol

Pesquisa publicada no O Povo de 7/11/2010


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