Deu a louca

Escritor conheceu 102 torcidas de 5 países

Cláudio Norrland conheceu 102 torcidas de cinco países do Cone Sul, durante cinco anos

Almirante-Brown
Cláudio Norrland viajou cerca de 250 dias entre 2008 e 2013 (Foto: Divulgação)

Viajar para conhecer estádios de futebol deixou de ser um turismo incomum. Pois esse prazer foi levado à máxima potência pelo paulista Cláudio Norrland. Em cinco anos, ele assistiu a 102 jogos de times diversos do Cone Sul, numa maratona que desbravou cinco países. Essa aventura, um sonho para qualquer verminoso, é descrita no livro “Insuficiências”, lançado no ano passado.

Foi um trabalho de fôlego, tanto o livro quanto a jornada. Entre 2008 e 2013, Cláudio ficou ausente do estado de São Paulo durante cerca de 250 dias (mais de oito meses). “Usei muitos feriados e fins de semana. Procurava otimizar cada viagem, cobrindo o maior número de jogos. Quando tinha um tempo livre mais longo, usava-o para viagens especiais”, conta o paulista.

Capa-Insuficiencias
A obra tem preço sugerido de R$ 42

No projeto, Cláudio se propos a estabelecer quais as torcidas mais vibrantes da região. As 10 primeiras são argentinas. A mais festiva, a do Almirante Brown, à frente do Boca Juniors. “As melhores torcidas do Cone Sul têm barras muito mais potentes que as torcidas organizadas do Sul-Sudeste brasileiro, além de avulsos mais vibrantes e mais pacientes”, constata o escritor, que mescla na obra descobertas turísticas e uma narrativa ficcional.

Cláudio arrisca alguns motivos para a ausência do “país do futebol” entre as torcidas mais fanáticas do Cone Sul, como as restrições impostas às organizadas brasileiras recentemente, a divisão entre diversas facções de cada time e a cultura brasileira da impaciência e do apoio condicionado a vitórias. “Detesto sociologices, não vou chutar qualquer explicação”.

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Na comparação entre os países, Cláudio percebeu que os banheiros dos estádios do Sul-Sudeste do Brasil têm padrão superior. Os sanduíches também possuem mais qualidade. Na Argentina, as torcidas visitantes saem da arquibancada primeiro, o oposto do praticado no Brasil. E, nos países vizinhos, o consumo de cerveja no entorno é bem menor ou inexistente.

Fã do estilo argentino de torcer, Cláudio possui antipatia por estádios modernos, em virtude da semelhança por dentro entre a maioria. Porém, não é daqueles que considera que a modernidade induz o público ao estilo “espectador”, e não “militante”. “A torcida do Grêmio, por exemplo, melhorou: apesar de haver menos gente em pé, o público agora fica mais perto do gramado e se ouve com mais clareza a Geral, graças à arquitetura favorável quanto à acústica”, avalia.

Segundo Cláudio, a recepção dos parentes ao projeto foi moderada. “Alguns familiares ficaram impressionados com a quantidade de viagens e chegaram a questionar a necessidade delas”, relembra. Já a namorada encarou as ausências de forma mais natural. “Ela sempre se mostrou bastante compreensiva em relação ao tempo que dediquei. Provavelmente ficou incomodada, mas nunca manifestou isso. Sempre me incentivou”.

Agora, Cláudio quer conhecer estádios da metade norte da América do Sul. “Tenho vontade de estudar torcidas de Cali, Lima, Belém e de algumas capitais nordestinas”, antecipa. Fica a curiosidade para ver esse novo ranking num “Insuficiências 2”.

Livro Insuficiências, de Cláudio Norrland
Preço sugerido: R$ 42 Onde: Livrarias Cultura, Pontes, Livros & Livros, Cia dos Livros e Eba Livros

Ranking de torcidas:

Almirante Brown (Fragata Sarmiento)
Boca Juniors (Bombonera)
Rosario Central (Gigante de Arroyito)
Talleres (La Boutique)
All Boys (Islas Malvinas)
Atletico Tucuman (Monumental)
San Martin de Tucuman (La Ciudadela)
Newell’s Old Boys (Parque Independencia)
Union de Santa Fe (La Avenida)
10ª Velez Sarsfield (El Fortin)
11ª Corinthians (Pacaembu)
13ª Coritiba (Couto Pereira)
18ª Atlético-MG (Mineirão)
25ª Atlético-PR (Arena da Baixada)
30ª São Paulo (Morumbi)
32ª Palmeiras (Parque Antarctica)
36ª Cruzeiro (Mineirão)
Fluminense (Maracanã)
Paraná (Vila Capanema)
39ª Flamengo (Maracanã)

(*) Na elaboração do ranking, Cláudio Norrland assistiu a um jogo em cada estádio, em duelos não decisivos e contra adversários que não fossem da mesma cidade.


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